terça-feira, 2 de junho de 2009

Redação Não Linear - Aula 2/6

O que é não linearidade em veículos de comunicação

É um sistema de arquitetura da informação no qual não existe uma ordem pré-derterminada de leitura, visualização, audição ou navegação. O sistema não linear já é praticado há muito tempo na literatura. Mas encontrou a sua máxima potencialização através do hipertexto, da Internet e da Web.

A Web é uma combinação de processos lineares e não lineares. É não linear quando o navegador escolhe a sua estratégia de navegação entre os vários blocos de informação disponíveis. Mas é linear dentro de cada bloco. É não linear num jogo online mas é linear quando você assiste um vídeo ou escuta uma musica online.

Gravações sonoras, filmes, programas de TV (salvo raras exceções) e documentários tem uma estrutura basicamente linear. Ela só pode ser quebrada pelo sistema de FF (avanço rápido) e Rewind (rebobinar).

O jornal pode não ser linear (você escolhe os assuntos pela capa e vai para as sessões ou vai lendo de página em página). Já um livro é estruturalmente linear (seqüência de páginas, seqüência de capítulos). Uma reportagem é geralmente linear porque você normalmente não tem outra escolha senão seguir o roteiro do autor.


Todo texto não linear é também hipertexto, mas nem todo hipertexto é não linear (quando você estabelece um sistema de links hierárquicos).

Um hipertexto contém textos seqüenciais, mas a estrutura dos textos produzidos dentro do hipertexto é sempre não linear.

Construção de modelos não lineares

A construção de conteúdos não lineares é um dos elementos chaves da arquitetura da informação, um dos componentes essenciais na construção de uma página Web.

A construção de um sistema não linear é bem mais complexa que a de um sistema linear. A principal diferença é que no não linear você tem que ter uma visão global antes de criar o sistema (montar o texto por exemplo), enquanto no linear você simplesmente segue a lógica, a cronologia, a intuição ou qualquer outro processo criativo.

A construção de conteúdos não lineares apoiados em hipertexto também é conhecida como edição contextual, pois o autor não se limita apenas à construção de frases e capítulos a partir de palavras. Ele desenvolve um contexto (arquitetura de informação, estrutura de links, usabilidade e seleção de elementos de ergonomia) junto com o texto propriamente dito.

O sistema não linear e o hipertexto estão mudando a narrativa jornalística convencional. A técnica de contar histórias e a pirâmide invertida ganharam uma nova posição dentro da arquitetura jornalística da informação. O modelo tradicional de contar histórias, apoiando-se no princípio de objetividade e isenção apoiadas em fatos, traz implícita a idéia de que existe uma maneira mais correta de contar histórias.

Hoje sabemos que existem várias maneiras de contar uma história e que não existe apenas uma forma objetiva e nem que uma única modalidade de isenção. A Web é muito mais adequada a publicar as várias histórias, objetividades e isenções, do que os demais veículos de comunicação.

As modernas técnicas de comunicação insistem que o novo vínculo de credibilidade a ser estabelecido entre autor e leitor apóia-se na idéia de que o jornalista ajuda os seus leitores/ouvintes/expectadores/navegadores a desenvolver opiniões próprias de forma autônoma e livre de imposições. A Web permite desenvolver esta percepção de forma mais rápida que os demais meios de comunicação.

Desta maneira a nova função do jornalista, publicitário e relações públicas dentro de um sistema não linear é criar contextos informativos englobando várias histórias a serem escolhidas livremente pelos navegadores. Assim teríamos também várias pirâmides invertidas, e não apenas uma.


Modelo simplificado de uma arquitetura não linear de informação. Cada retângulo corresponde a um bloco de hipertexto. As setas representam alguns hiperlinks possíveis entre elementos (palavras, imagens ou gráficos) de um bloco e outro.

Exercício

Desastre do avião de Air France

Cada aluno vai criar uma notícia não linear formada por quatro blocos de informações.
Os passos são os seguintes:
1) Identificar quatro temas diferentes, dentro do tema global (desastre).
2) Pesquisar sobre estes quatro temas e produzir quatro textos de 150 palavras. Cada bloco deve ter um titulo de no máximo três palavras
3) Criar uma rede de hiperlinks entre os quatro blocos para que o leitor possa passar de um para outro. Cada bloco deve ter pelo menos dois hiperlinks para outros blogs.
4) Publicar no blog pessoal até o final da aula.

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